A cirurgia para síndrome pós-trombótica e o uso de stents venosos são indicados quando o tratamento conservador (meias e medicamentos) não é suficiente para controlar a dor incapacitante, o inchaço severo ou para fechar úlceras persistentes. Através de técnicas endovasculares minimamente invasivas, é possível desobstruir veias ilíacas cronicamente bloqueadas por cicatrizes de tromboses antigas, restaurando o fluxo sanguíneo e reduzindo drasticamente a hipertensão venosa que causa os sintomas da Síndrome Pós-Flebite.

O que abordaremos sobre as intervenções modernas:

  • O conceito de Obstrução de Fluxo de Saída (Outflow Obstruction).
  • Stents Venosos: A diferença entre stents arteriais e venosos.
  • IVUS (Ultrassom Intravascular): A visão de dentro do vaso.
  • Indicações: Quando parar o tratamento clínico e operar?
  • Pós-operatório e taxa de sucesso na desobstrução venosa.

Na Angiotratta, o Dr. Danilo Figueiredo Freitas utiliza a abordagem “funcional primeiro”. Nem toda sequela de trombose precisa de cirurgia, mas ignorar uma obstrução mecânica nas veias da pelve pode condenar o paciente a uma vida de sofrimento. Como vimos no hub central da Síndrome Pós-Flebite, o problema é hemodinâmico: se o sangue não consegue sair da perna, a pressão nunca baixará.

Por que a Cirurgia Evoluiu para o Endovascular?

Antigamente, as cirurgias para reconstrução venosa (como as pontes venosas) eram grandes, invasivas e apresentavam altas taxas de falha. A revolução veio com as técnicas de cateterismo. Hoje, tratamos a síndrome através de pequenas punções na virilha ou no joelho, sem a necessidade de cortes extensos ou anestesia geral prolongada.

O Papel Crítico dos Stents Venosos

Muitas vezes, a Síndrome Pós-Flebite é causada por uma obstrução nas veias ilíacas (veias que ficam dentro da bacia e levam o sangue da perna para a veia cava). Após uma trombose, essas veias podem ficar estreitadas por tecido fibroso.

O Stent Venoso é uma malha metálica de nitinol, especialmente projetada para o sistema venoso. Ele precisa ser flexível o suficiente para acompanhar os movimentos do corpo e forte o suficiente para vencer a compressão das estruturas anatómicas vizinhas (como ocorre na Síndrome de May-Thurner).

IVUS: O “Olho” do Cirurgião Vascular

Um dos diferenciais na prática do Dr. Danilo Figueiredo Freitas é o uso do IVUS (Ultrassom Intravascular). Diferente da angiografia comum (que é apenas uma “sombra” do vaso), o IVUS permite ver a parede da veia por dentro em 360 graus.

  • Permite medir com precisão o diâmetro real da veia.
  • Identifica traves de fibrina e cicatrizes invisíveis no raio-X.
  • Garante que o stent seja colocado exatamente onde a obstrução é maior.

Critérios de Indicação: Quem deve operar?

A decisão cirúrgica baseia-se na gravidade clínica e nos achados de imagem. Os candidatos ideais são aqueles com:

  1. Score de Villalta > 15: Conforme explicado no artigo sobre sintomas e diagnóstico, este valor indica gravidade alta.
  2. Úlcera Venosa Ativa (CEAP 6): Feridas que não fecham após 3 a 6 meses de curativos e meias adequadas.
  3. Claudicação Venosa: Dor intensa na perna ao caminhar que obriga o paciente a parar, causada pela impossibilidade do sangue sair do membro.
  4. Obstrução Ilíaca comprovada: Verificada por Angiotomografia ou Angiorressonância.

Tratamento de Veias Superficiais na Síndrome Pós-Flebite

Um erro comum é tentar operar as varizes superficiais de uma perna que tem síndrome pós-flebite sem avaliar as veias profundas. Em muitos casos, aquelas varizes são “veias colaterais” — caminhos alternativos que o corpo criou para o sangue passar.
Retirar essas veias sem desobstruir o caminho principal (veias profundas) pode piorar drasticamente o inchaço. Por isso, na Angiotratta, o planejamento cirúrgico é rigoroso.

O que esperar do Pós-Operatório?

Diferente de cirurgias arteriais, a recuperação da angioplastia venosa costuma ser rápida.

  • Internação: Geralmente 24 horas para observação.
  • Medicação: O uso de anticoagulantes ou antiagregantes é essencial nos primeiros meses para evitar que o stent sofra uma trombose.
  • Melhora dos Sintomas: A redução do inchaço e o alívio da dor costumam ser notados nos primeiros dias após o procedimento.
  • Continuidade: Mesmo após o stent, o paciente deve manter as meias de compressão e exercícios, pois o stent trata a obstrução, mas não recupera as válvulas destruídas.

FAQ: Dúvidas sobre Cirurgia e Stents

1. O stent venoso pode “entupir”?

Sim, existe o risco de reestenose ou trombose do stent. Por isso, o acompanhamento regular com Doppler e o uso correto da medicação são obrigatórios.

2. O stent dura para sempre?

Os stents venosos de nitinol modernos são projetados para serem permanentes. Se bem integrados à parede do vaso nos primeiros meses, a tendência é que durem décadas.

3. A cirurgia dói?

O procedimento é feito sob sedação e anestesia local. O paciente não sente dor durante a angioplastia. No pós-operatório, pode haver um leve desconforto na região da punção.

4. Stent venoso é igual a stent do coração?

Não. As veias têm diâmetros maiores e pressões menores que as artérias do coração. Os stents venosos são maiores, mais robustos e possuem uma engenharia de resistência à compressão específica.

5. Se eu colocar o stent, poderei parar de usar meias?

Em alguns casos de obstrução pura, é possível. No entanto, na maioria dos casos de Síndrome Pós-Flebite, existe o componente de refluxo (válvulas estragadas). O stent melhora a saída do sangue, mas a meia continua ajudando a evitar que o sangue reflua para baixo.


Referências Bibliográficas

  1. Gloviczki P, et al. The care of patients with varicose veins and associated chronic venous diseases: Clinical practice guidelines. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders, 2024.
  2. DeWolf MA, et al. Endovascular treatment of post-thrombotic syndrome. European Journal of Vascular and Endovascular Surgery, 2025.
  3. Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Consenso sobre Tratamento Endovascular de Obstruções Venosas Ilíacas.