Sim, é perfeitamente possível tratar o refluxo sem retirar a veia safena através de técnicas cirúrgicas conservadoras como a CHIVA (Cura Hemodinâmica da Insuficiência Venosa em Ambulatório) e a ASVAL (Ablação Seletiva de Varizes sob Anestesia Local). Ao contrário do Endolaser ou da safenectomia tradicional, estas metodologias focam-se em redirecionar o fluxo sanguíneo ou remover apenas as varizes tributárias doentes, permitindo que a veia safena recupere o seu diâmetro normal e permaneça funcional como um património vascular para futuras necessidades médicas, como pontes de safena cardíacas.
Neste guia sobre preservação venosa, vamos explorar:
- O conceito de Safena como “Património Vascular”.
- Técnica CHIVA: A engenharia que redireciona o sangue.
- Técnica ASVAL: Quando remover os ramos “cura” o tronco principal.
- Vantagens Biológicas: Menor risco de trombose e preservação nervosa.
- Critérios de Seleção: Quem é o candidato ideal para não retirar a veia?
Na Angiotratta, o Dr. Danilo Figueiredo Freitas defende que a veia safena é um recurso precioso. Em um cenário onde as doenças cardiovasculares aumentam, manter uma safena saudável pode ser a diferença entre o sucesso ou insucesso de uma futura cirurgia de revascularização do miocárdio ou de bypass arterial. Se o seu Doppler de safena indicou refluxo, este artigo explicará por que “fechar tudo” nem sempre é a decisão mais inteligente.
A Veia Safena como Património Vascular
Historicamente, a cirurgia vascular tratava a safena como um “cano velho” que precisava ser trocado ou descartado. Hoje, sabemos que a safena é o melhor substituto biológico para artérias do coração e das pernas. Retirá-la ou cauterizá-la desnecessariamente é uma decisão irreversível. As técnicas conservadoras surgiram para tratar os sintomas das varizes sem sacrificar este “pneu de reserva” biológico.
Técnica CHIVA: A Estratégia Hemodinâmica
Criada na França na década de 80, a técnica CHIVA baseia-se num princípio simples, mas brilhante: as varizes não são o problema, são o resultado de um erro no sentido do fluxo sanguíneo.
- Como funciona: Através de um mapeamento ultrassonográfico rigoroso, o cirurgião identifica os pontos de “curto-circuito” onde o sangue escapa do sistema profundo para o superficial.
- O Procedimento: Sob anestesia local, são feitas pequenas laqueaduras (ligaduras) em pontos estratégicos. Isso força o sangue a retornar ao sistema profundo por veias perfurantes saudáveis.
- Resultado: A pressão dentro da safena cai drasticamente, as varizes murcham e a veia safena volta a ter um calibre normal, continuando a sua função de drenagem.
Técnica ASVAL: A Abordagem Ascendente
A técnica ASVAL baseia-se na teoria de que o refluxo na safena muitas vezes começa “de baixo para cima”. Ou seja, as varizes laterais (tributárias) puxam o sangue da safena, causando o refluxo secundário no tronco principal.
- A Lógica: Ao remover apenas as varizes superficiais visíveis através de microincisões (flebectomia seletiva), a “carga” sobre a safena diminui.
- Recuperação da Veia: Em muitos casos observados na Angiotratta, após a remoção dos ramos doentes, o tronco da safena magna ou parva deixa de apresentar refluxo no Doppler de controle após 6 meses.
Vantagens de Não Retirar a Safena
Optar por técnicas conservadoras traz benefícios que vão além da preservação do vaso:
- Mínimo Impacto Nervoso: Como não há calor (laser) nem tração (stripping) ao longo de todo o trajeto da veia, o risco de dormências ou formigueiros nas pernas é quase zero.
- Menor Risco de Trombose: A manutenção do fluxo natural reduz a chance de estase sanguínea pós-operatória.
- Estética Superior: Os procedimentos são feitos por micro-orifícios que não requerem pontos.
Quem pode se beneficiar dessas técnicas?
A indicação para CHIVA ou ASVAL é extremamente personalizada. O Dr. Danilo avalia critérios como:
- Diâmetro da Veia: Safenas extremamente dilatadas (acima de 10-12mm) podem ter menos chances de recuperação total, sendo mais indicadas para o Endolaser.
- Qualidade das Veias Perfurantes: Para a CHIVA funcionar, o paciente precisa ter “veias de escape” profundas funcionando bem.
- Expectativa de Vida e Histórico Cardíaco: Pacientes jovens ou com histórico familiar de problemas cardíacos são os maiores candidatos à preservação.
O Papel do Doppler no Planejamento Conservador
Diferente de uma ablação térmica, onde o objetivo é fechar toda a extensão da veia, na cirurgia conservadora o mapeamento deve ser “milimétrico”. O cirurgião precisa entender cada conexão venosa. Na Angiotratta, dedicamos um tempo considerável ao Doppler pré-operatório, pois um erro na identificação do ponto de fuga pode comprometer o resultado da técnica CHIVA.
Pós-Operatório: O que esperar?
A recuperação é a mais rápida entre todas as técnicas cirúrgicas vasculares. Como as intervenções são pontuais e sob anestesia local, o paciente geralmente retorna às atividades normais no dia seguinte. O uso de meias de compressão elástica é recomendado por um período curto (7 a 14 dias) para auxiliar na reacomodação do fluxo sanguíneo.
FAQ: Perguntas sobre Preservação da Safena
1. Se eu tiver um problema no coração no futuro, o Endolaser impede a ponte de safena?
Sim. Uma veia que sofreu ablação térmica (laser) ou foi retirada não pode mais ser usada para cirurgias cardíacas. Por isso, a preservação é um tema tão importante na medicina moderna.
2. A técnica CHIVA tem mais chance de as varizes voltarem?
Se o mapeamento hemodinâmico for bem executado por um especialista como o Dr. Danilo, as taxas de recorrência são comparáveis às do laser. A diferença é que a safena continua lá, protegida.
3. Posso fazer ASVAL em qualquer tipo de varizes?
A técnica é ideal para varizes onde o refluxo da safena ainda não é “terminal” ou total. Se a veia já está muito degenerada e tortuosa, a preservação pode não ser viável.
4. O convênio cobre as técnicas CHIVA e ASVAL?
Sim, estas técnicas são codificadas como tratamento cirúrgico de varizes e costumam ter cobertura pelos principais planos de saúde, sendo realizadas em regime de hospital-dia.
5. Existe dor no pós-operatório dessas técnicas?
A dor é mínima, descrita frequentemente como um leve desconforto nos locais das microincisões, sendo facilmente controlada com analgésicos comuns.
Referências Bibliográficas
- Franceschi C. Théorie et Pratique de la Cure Conservatrice et Hémodynamique de l’Insuffisance Veineuse en Ambulatoire (CHIVA). 2024 review.
- Pittaluga P, et al. ASVAL (Ablation Sélective des Varices sous Anesthésie Locale): 10-year follow-up results. Journal of Vascular Surgery, 2025.
- Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Manual de Condutas em Preservação de Safena.