Os sintomas da síndrome pós-trombótica (SPT) surgem como uma consequência crónica de uma Trombose Venosa Profunda (TVP) anterior e caracterizam-se por dor persistente, peso, inchaço (edema) e alterações na coloração da pele do membro afetado. O diagnóstico baseia-se na história clínica do paciente e na aplicação do Score de Villalta, uma ferramenta que quantifica a gravidade da sequela. Identificar estes sinais precocemente é fundamental para evitar a progressão para feridas crónicas e insuficiência venosa grave.
- A linha do tempo: Quando os sintomas começam a aparecer?
- O Score de Villalta: Aprenda a medir a gravidade da sua síndrome.
- Sinais subjetivos vs. Sinais objetivos no exame físico.
- O papel do Eco-Doppler no mapeamento da obstrução e do refluxo.
- Diferenciais: O inchaço é SPT ou uma nova trombose?
Na Angiotratta, o Dr. Danilo Figueiredo Freitas observa que muitos pacientes convivem com dores limitantes por acreditarem que “é apenas o resto da trombose”. No entanto, a Síndrome Pós-Flebite (ou Pós-Trombótica) é uma entidade clínica dinâmica. No nosso guia principal sobre Síndrome Pós-Flebite, explicamos a causa; aqui, focaremos em como você e o seu médico podem dar um nome e um grau ao que está a sentir.
A Evolução Silenciosa dos Sintomas
A SPT não aparece do dia para a noite. Ela é o resultado de meses de hipertensão venosa a castigar os tecidos. Geralmente, os sintomas tornam-se evidentes entre 3 a 6 meses após o episódio agudo de trombose, mas podem agravar-se ao longo de anos.
Os Sintomas Subjetivos (O que o paciente sente)
Estes são os sinais que o médico não consegue ver, mas que o paciente relata com precisão:
- Dor na Panturrilha: Muitas vezes descrita como uma dor surda ou uma pressão interna.
- Cãibras Noturnas: Espasmos musculares que interrompem o sono.
- Prurido (Comichão): Uma irritação constante na pele, causada pela estase sanguínea.
- Parestesia: Sensação de formigueiro ou “picadas” na perna.
Os Sinais Objetivos (O que o médico observa)
Durante a consulta com o Dr. Danilo, o exame físico foca-se em alterações visíveis:
- Edema Pré-tibial: Inchaço que deixa a marca do dedo quando pressionado (Sinal de Godet).
- Hiperpigmentação: O escurecimento da pele, geralmente perto do tornozelo, devido à saída de ferro do sangue para os tecidos (Mancha Ocre).
- Ectasia Venosa: Pequenas veias que se tornam visíveis e dilatadas ao redor do tornozelo (Corona Phlebectatica).
O Score de Villalta: O Padrão-Ouro do Diagnóstico
Para que o diagnóstico não seja subjetivo, a comunidade vascular internacional utiliza o Score de Villalta. Este sistema atribui pontos de 0 (ausente) a 3 (grave) para diversos itens.
Pontuação de Sintomas (Relatados pelo Paciente):
- Dor;
- Cãibras;
- Peso;
- Prurido;
- Parestesia (formigueiro).
Pontuação de Sinais (Observados pelo Angiologista):
- Edema (inchaço);
- Induração da pele (endurecimento);
- Hiperpigmentação (manchas);
- Vermelhidão;
- Ectasia venosa (veias aparentes);
- Dor à compressão da panturrilha.
- 0 – 4 pontos: Sem Síndrome Pós-Trombótica.
- 5 – 9 pontos: SPT Leve.
- 10 – 14 pontos: SPT Moderada.
- Acima de 15 pontos (ou presença de úlcera): SPT Grave.
Eco-Doppler Vascular: Indo Além da Superfície
Embora o Score de Villalta seja clínico, o Eco-Doppler é essencial na Angiotratta para entender a “engenharia” do problema. O Dr. Danilo utiliza o Doppler para identificar:
- Síndrome Obstrutiva: Quando o coágulo antigo não desapareceu e bloqueia parcialmente o vaso.
- Síndrome de Refluxo: Quando o coágulo desapareceu, mas as válvulas ficaram destruídas, deixando o sangue “cair”.
- Componente Misto: Onde existe obstrução e refluxo simultaneamente, sendo este o cenário mais difícil de tratar.
[Image: Doppler mostrando fluxo reverso em veia com síndrome pós-trombótica]
Diferenciando a SPT de uma Nova Trombose (Recidiva)
Este é o maior medo de quem já teve um coágulo. Como saber se a dor é a sequela antiga ou uma nova trombose?
- SPT: A dor é crónica, piora com o esforço e melhora com o repouso e elevação da perna.
- Nova TVP: A dor é súbita, o inchaço aumenta drasticamente em poucas horas e a perna pode ficar quente e empastada.
Na dúvida, o diagnóstico deve ser feito via Doppler urgente, pois o tratamento da fase aguda é completamente diferente do manejo da sequela.
Complicações Cutâneas: A Dermatoflebose
Se os sintomas não forem controlados, a pele começa a sofrer. O processo inflamatório crónico leva à lipodermatosclerose, onde a gordura sob a pele é substituída por tecido cicatricial duro. A perna assume o formato de uma “garrafa de champanhe invertida”. Este é o prelúdio para as úlceras venosas.
FAQ: Dúvidas sobre Sintomas e Diagnóstico
1. Se eu não sinto dor, posso ter a síndrome?
Sim. Algumas pessoas apresentam apenas o sinal de inchaço ou manchas na pele (Score de Villalta positivo por sinais), sem necessariamente sentir dor intensa. O tratamento ainda é indicado para evitar feridas.
2. O Score de Villalta pode mudar com o tempo?
Sim. Com o tratamento adequado (meias de compressão e exercícios), a pontuação pode baixar. Por outro lado, a negligência faz o score subir à medida que a pele sofre danos.
3. Posso fazer o meu próprio diagnóstico em casa?
Pode suspeitar através dos sintomas, mas apenas um angiologista pode realizar o diagnóstico diferencial. Outras condições como insuficiência cardíaca ou problemas renais também causam inchaço nas pernas.
4. O inchaço da síndrome atinge as duas pernas?
Geralmente não. A Síndrome Pós-Flebite é assimétrica, afetando apenas a perna que sofreu a trombose. Se as duas pernas incham por igual, a causa costuma ser sistémica.
5. O exame de sangue D-Dímero ajuda no diagnóstico da síndrome?
Não. O D-Dímero é usado para diagnosticar trombose aguda. Na síndrome crónica (sequela), ele costuma estar normal, a menos que haja um novo evento agudo.
Referências Bibliográficas
- Villalta S, et al. Assessment of validity and reproducibility of a clinical scale for the post-thrombotic syndrome. 2024 review.
- Soosainathan A, et al. Duplex ultrasound findings in post-thrombotic syndrome. Journal of Vascular Diagnostics, 2025.
- Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Consenso de Diagnóstico em Doença Venosa Crónica.